Thursday, December 24, 2009

Merry X-mas!!


And a Happy New Year!
=]

Tuesday, December 8, 2009

Amateur Photography

Por vezes as palavras não chegam.

Por vezes as palavras recusam-se sequer a formar-se nas zonas brancas da consciência.

E nessas vezes, há vezes em que as imagens são a melhor forma de preencher esses espaços vazios.



...Para preencher de fotografia os dias de silêncio.

Sunday, October 11, 2009

A bad tendency to get burned

"So for awhile I conducted experiments
And I was amazed by the things I learned
From a fine fine girl with nothing but good intentions and a
Bad tendency to get burned"
...
.

Thursday, October 8, 2009

It’s poetry carved in flesh



Dias húmidos com sabor a chocolate. Cheira a terra molhada, a musgo verde. Relances de Outono pesam-me por sobre as pálpebras, languidamente.
A luz dourada e o nevoeiro embalam os segredos. A brisa arrepia-me o corpo e a alma. Os meus lábios selam-se no mais doce carmim.

Não subestimes os sussurros que se escondem no bater da chuva, nem os gemidos doces que se arrastam num ribombar de trovão. Os gestos cravam-se na pele como poesia e deixam fitas ao vento nos Outonos da memória.

Dias húmidos de versos sussurrados. Dias de chuva.



Foto com Tamron 90mm

Sunday, September 20, 2009

Mais um

É agora. É amanha.
É agora que as férias acabam de vez e eu não tenho mais para onde fugir. Não me adiantava nada fugir, não tenho propriamente para onde ir e os meus pais não me iam querer em casa. Encher-me-iam de um discurso de incentivo e esperariam que eu sorrisse na janela do comboio, de volta a Coimbra.
Já não posso desculpar-me com a preguiça. O tempo é novamente de trabalho e ai de mim se me queixar. Não me adianta sequer queixar, a resposta de quem me ouvisse seria sempre a mesma: foste tu que escolheste o caminho. E é verdade. É verdade e ainda assim apetece-me lamuriar-me, berrar e espernear, que as coisas não tinham de ser assim. Eu podia fugir para longe. Podia. Mas… e depois?
É agora. Vai começar tudo de novo e a minha alma e maus augúrios diz que será mau. Mau e talvez pior que ano passado. Oh maldita preguiça que me tolhes o corpo…
É agora. Mais um ano. Mais um.

E eu entrego-me aos acordes de Chopin enquanto o dia se inclina. O último.

Sunday, August 30, 2009

Mr Oak


Acrilico em tela 30x30cm, pintado por mim.

Einstuerzende Neubauten



... e uma t-shirt, pintada por mim para a minha irmã.



Postcard - Passeio em Familia

Agosto 2009, passeio em familia.

Peniche





Batalha


Sintra














Boca do Inferno



Cascais

Belem




Lisboa





Tuesday, August 18, 2009

Pherrugem

As velas ardiam junto às paredes de pedra quando entraram no bar. Ela e três casais. Vinham do ar fresco da noite com risos baixos. O aviso na porta pedia silêncio, o sossego para aqueles que já dormiam nas janelas vazias. Passava da uma da manhã mas o interior permanecia pouco movimentado.
A primeira sala na penumbra, pequenos grupos sentados em bancos altos conversavam sob o som pesado das músicas. The Cure. Passaram a parede para junto do balcão. Três candeeiros iluminavam a madeira escura, vazia de copos, enquanto o barman bebia qualquer coisa com os seus gestos descontraídos.
“Bebes qualquer coisa?”
“Não, ainda não.”
A atenção dela soltou-se dos movimentos fluidos do barman para uma radiografia junto da parede, à esquerda. Uma radiografia abdominal que mostrava um piercing por sobre as sombras ósseas.
“Vamos sentar-nos, há lugar nos sofás.”
Ela seguiu o grupo para a sala seguinte. Pequenas mesas e sofás dispunham-se em fila de um lado, repletos de copos vazios e velas acesas. Um candeeiro em forma de garrafa dava um ar ainda mais alaranjado à sala. Na parede em frente, uma porta de madeira, os seus pesados ferrolhos fechados, pendurada a meio caminho entre o chão e o tecto. Sentou-se na cabeça da mesa enquanto analisava a porta. A madeira escura e velha, cheia de fendas e reentrâncias, as barras de ferro enferrujadas que a percorriam de um lado ao outro, as fechaduras enormes, as teias de aranha que se continuavam para o tecto até ao candelabro vazio. Decerto não daria a lado nenhum…
Reparou que todos conversavam acima da música. Não soube dizer sobre que falavam mas viu-os rirem-se de algo. Tentou tomar atenção mas os acordes sobrepunham-se às frases e só soube apanhar palavras sem sentido. Decidiu que não importava.
O barman veio buscar os copos vazios. À frente dela, na mesa, restava agora uma fila irregular de velas que ardia num tom quente. Deixou que os seus olhos seguissem a luz enquanto respirava fundo, captando em si todas as sombras da sala, as vibrações da música, o cheiro acre a tabaco e cerveja.
O olhar cruzou-se com outro. Um rapaz sentado, parado e silencioso, olhava-a nos olhos do outro lado da sala.
“Da maneira que olhas as chamas parece que precisas de companhia.”
“Eu tenho companhia.”
“Bem sei, eu consigo vê-los.”
Ela olhou para o grupo de relance. Continuavam a conversar. Só ela é que o ouvia?
“Eles…”
“Não eles, os outros…”
Ia perguntar “Que outros?” mas nesse preciso momento a luz das velas tremeluziu e ela conseguiu vê-los. Pequenos espectros laranja flutuavam à volta dela misturando-se no fumo do tabaco e nas sombras que deslizavam das paredes. Engoliu em seco.
“Pensei que conseguisses vê-los…”
“Devo ter medo?”
“Não sei, tu é que os conheces…”
Ela hesitou. Não se lembrava de alguma vez os ter visto, mas sim, ela sabia que eles lá estavam mesmo antes de eles aparecerem aos seus olhos. Estariam sempre ali?
“Não sei, como disse, tu é que os conheces…”
“Quase podia engarrafa-los, vende-los. Seriam uma espécie de fumo espesso dentro de garrafas de vidro fosco. Ia ficar bonito…”
“Ou podias simplesmente deixa-los estar.”
“Desde que me deixem ver o caminho.”
“Sim, o caminho até ao balcão… vens?”
Viu-o levantar-se devagar, o seu olhar ainda colado ao dela, e dirigir-se ao balcão do bar.
Ela levantou-se também, sem qualquer hesitação, e juntou-se a ele. Àquela distância conseguiu cheira-lo, algo doce que não soube distinguir.
“Absinto.”
O barman enchia já dois pequenos copos de vidro com um líquido esverdeado. O rapaz pegou nos copos e estendeu-lhe um. Pegou nele com cuidado, sentindo o liquido molhar-lhe a ponta dos dedos.
“Há sempre uma fada verde em cada copo de absinto. Pena que os teus amigos laranja não a deixem materializar-se.”
“Deixam, se eu lhes pedir.”
“Pede então. Queria vê-la antes de ela me tomar por completo.”
Ela fez o pedido em silêncio, um misto de súplica e ordem. Eles teriam de obedecer, não podiam simplesmente segui-la assim e fazer tudo o que lhes apetecesse.
Um momento e os espectros laranja desapareceram. Os copos iluminaram-se numa luz verde fantasmagórica e duas pequenas fadas saíram do líquido, a voar.
“Muito bem… olha como são lindas.”
E realmente eram. Pequenos seres sorridentes vestidos de verde, as asas batendo mais depressa do que o olhar humano poderia discernir, todo o seu corpo lançando uma luz suave que se reflectia na superfície do líquido de onde tinham saído.
“Adeus pequena.”
O absinto escorregou-lhe pela garganta num instante e ela imitou-o. As fadas desapareceram como se nunca estivessem lá estado e a garganta dela incendiou-se sob o álcool. A expressão de ambos, no entanto, foi apenas de prazer.
“Agora só te resta ver o que está por de trás da porta.”
“Pedras, como o resto da parede.”
Ele dirigiu-se de volta à sala dos sofás, até junto da porta. Ela seguiu-o. Pararam lado a lado, fixando a porta fechada em silêncio. A mão dele subiu até junto da fechadura principal e esta cedeu, a porta entreabrindo-se à sua frente. A outra mão estava já esticada para ela.
“Vens?”
Ela pegou na mão dele. Entraram.


Ficção. Quase tudo excepto o bar, Pherrugem, que pode ser encontrado em plena noite do Porto.

A Neura

Estou com a neura. Estou naqueles dias chatos em que qualquer coisa me incomoda.
Não me apetece comer, muito menos dormir. Quero fazer tudo e ainda assim não tenho paciência para nada. O calor incomoda-me, o sol incomoda-me, as pessoas incomodam-me. Até o gancho que me teima em cair do cabelo faz com que solte suspiros de enfado.
Pego no portátil, farta de estar em casa, e dirijo-me à biblioteca da cidade. Hei-de encontrar sossego, algum sossego daquele que vem agarrado às lombadas dos livros e é sagrado e intemporal.
No caminho, tudo me incomoda. A crescente onda de gente inútil que se passeia sem nada para fazer, que berra e faz barulho, que chama a atenção às crianças irrequietas que correm e berram e continuam sem obedecer. A constante fila de carros que decidiu invadir a minha pacata cidade, com música demasiado alta, motores barulhentos e matrículas estrangeiras. Porque acham eles que podem chegar e fazer o barulho todo que lhes apetece? Porque acham eles que podem vir poluir Viana com o seu fumo tóxico, as suas cores tunning e os arranques desnecessários e nem sequer me deixarem passar na passadeira? Malditos sejam…
Mais uma família que teima em esbarrar comigo… quase consigo adivinhar o valor de colesterol e tensão arterial que vai nas artérias daquele corpo obeso… nele e no de toda a família. E porque teimam em não me deixar passar no passeio já por si estreito, falando entre si naquele irritante francês? Estarão a insultar-me sem eu me dar sequer conta? Malditos sejam…
A Praça da Republica… até aí a multidão é demasiada, o barulho demasiado. Berros que me fazem sobressaltar e quase atingem o timbre do sino da Sé. E mais turistas e estrangeiros que disparam as suas máquinas novas a tudo e mais alguma coisa. Sabe senhor, com a tampa na parte da frente a objectiva é capaz de não captar nada… e aposto que esse ângulo não favorece a fotografia! Malditos sejam…
Desço até ao rio. Apetecia-me dar um passeio pelo jardim da marina, mas até ai as famílias de férias se acumulam, com os seus corpos enormes e os seus berros ensurdecedores… esse gelado de chocolate não vai ajudar a livrar-se dessa barriga, sabia senhor?
Resta-me a biblioteca, ou isso espero… mas não! Até ai vão os senhores de férias passear, porque é nova e foi desenhada por Siza Vieira e a minha vizinha disse que era gira e moderna e valia a pena visitar… enquanto me passeio nos meus saltos altos que fazem barulho no chão de madeira e os meus filhos correm e falam alto como se estivessem no café da esquina! Porque é que o senhor não ensina ao seu filho que a biblioteca é um locar de silêncio e se ele quer comentar a foto gira da revista, onde “Esta menina tem uma pistola”, o local indicado será em casa ou mesmo no dito café da esquina?? Porque tenho eu de o aturar quando a única coisa que queria era um pouco de silêncio?...
Malditos sejam…

E não, não estou de mau humor, estou só com a neura. Mas quem não ficaria com a neura depois de uma invasão destas??